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15
Mar
2018
Peso da luz

Peso da luz

Peso da luz (Míriam Leitão)

O reajuste nas contas de luz do Rio e de Niterói é apenas o início do que vem por aí. Segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), que já havia alertado ao blog que 2018 seria ano de forte aumento, a alta média no país deve ficar em 22% para o consumidor residencial. Em Minas Gerais, a Cemig quer aumentar em 22% a conta das residências, com impacto de 33% na indústria. No Rio Grande do Sul, a RGE Sul quer 23% e 28%, respectivamente. Como mostra a tabela, os reajustes pedidos pelas concessionárias estão na casa de dois dígitos. A Aneel vai analisar caso a caso, podendo subir ou reduzir o percentual. No caso da Enel, em Niterói, o número ficou maior. O setor de energia continua um forte gargalo para a retomada da economia.

Disputa política

Enquanto o consumidor pagará mais pela conta, o clima no Ministério de Minas e Energia é de disputa interna com a perspectiva de saída do ministro Fernando Coelho Filho. Aliados do presidente Temer que sempre viram a Eletrobras como um ativo político estão dificultando a privatização e brigam com a área técnica da pasta. Na Câmara, a comissão que vai analisar o projeto foi instalada ontem com dificuldade. O presidente da Abrace, Edvaldo Santana, lamenta que o Congresso não esteja dando atenção aos projetos de modernização do setor, como o Gás para Crescer, que está parado desde dezembro. As boas ideias estão paralisadas, em geral por disputas políticas, que só garantem duas coisas: continuaremos atrasados em relação ao mundo e a conta de luz vai subir, afirmou.

MÍRIAM LEITÃO - O GLOBO - 15/03/2018

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